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Engenharia civil é uma das profissões mais promissoras para os jovens

Se existe um profissional que pode comemorar o crescimento de suas atividades é o engenheiro civil. Atualmente, este é o segmento com maior demanda por profissionais na área da Engenharia. Com a quantidade de investimentos governamentais, por exemplo, este mercado é um dos mais promissores para os jovens.

“A Engenharia Civil teve um crescimento muito forte, com obras de infraestrutura como portos, ferrovias e hidrelétricas, mas também e, talvez, principalmente, pelo plano habitacional, o projeto Minha Casa Minha Vida, por exemplo”, destaca o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro.

O presidente lembra que a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 também são fatores responsáveis pela demanda por profissionais da área.

“Não é só a construção e a reforma que permeiam os eventos, mas também toda a preparação, a melhoria dos aeroportos, dos transportes, enfim, a Copa é praticamente agora e muitas obras estão atrasadas. O Rio de Janeiro, em especial, tem uma demanda ainda maior por conta das Olimpíadas”, ressalta Guerreiro.

Considerando todas as áreas abrangidas pelo Sistema Confea/Crea, há 957 mil profissionais de nível técnico e superior registrados no banco de dados do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea). O país forma, por ano, 32 mil engenheiros entre todas as modalidades, porém, de acordo com Guerreiro, se o ritmo de crescimento continuar como está, será necessário formar o dobro de profissionais anualmente.

“A área da tecnologia da informação também está crescendo muito e outros segmentos como a Engenharia Mecânica e Elétrica, só para citar, acabam sendo ‘puxados’ pela construção civil. Quando aumenta a necessidade do engenheiro civil, automaticamente as outras áreas também acabam sendo requisitadas”, explica o presidente.

A procura pelos cursos nesta área ainda é reduzida no Brasil. Guerreiro conta que a relação de candidato por vaga no Rio de Janeiro, no vestibular para Engenharia Civil, está em torno de dez para uma.

Segundo o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, menos de 11% dos universitários brasileiros estão em cursos da área tecnológica. São 180 mil vagas nas universidades para Engenharia. Dos profissionais que se formam a cada ano, 30% permanecem com atuação na área técnica. De acordo com o Censo da Educação Superior divulgado pelo próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2009, a Engenharia alcançou o patamar de quarto maior curso de graduação em número de matrículas, sendo que, de 2005 a 2009, observou-se um aumento de 59% no número de matrículas.

Perfil profissional

O salário inicial de um engenheiro pode servir como estímulo para os jovens que pensam em seguir a carreira. Segundo informações do Confea, um recém-formado pode receber até R$ 6 mil. Já a remuneração de um sênior especializado em gerenciar projetos na área varia de R$ 25 mil a R$ 30 mil. E detalhe: há uma procura acirrada por esses profissionais.

De uma forma geral, as atribuições de um engenheiro civil consistem na realização de plantas, controle de prazos, custos e padrões de segurança, estudos do solo do local de construção, cálculos dos efeitos dos desníveis do terreno, das mudanças de temperatura e da pressão dos ventos sobre a resistência da obra. É claro que as funções também variam de acordo com a especialização.

Como foi explicado por Guerreiro, a área de engenharia civil é a protagonista do momento. Sendo assim, os setores de infraestrutura, saneamento básico, habitação e tudo que envolve a construção necessitam de profissionais qualificados em caráter emergencial.

O curso de Engenharia Civil tem duração de cinco anos e as especializações, geralmente, 15 meses. O presidente do Confea reafirma a opinião de Agostinho Guerreiro ao dizer que eventos como a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 e a exploração da camada Pré-Sal são pontos que contribuem para a demanda por profissionais neste mercado.

“Eventos desse porte mobilizam diversos setores, todos eles relacionados à Engenharia, que é responsável por proporcionar infraestrutura adequada à população. Os profissionais dessas áreas estão envolvidos em todas as fases do processo de realização dos Jogos Mundiais, desde o planejamento, passando pelo projeto até a execução, acompanhamento e fiscalização das obras. É um desafio que o país recebeu e que para organizá-lo da melhor forma precisará de profissionais especializados nas mais diversas áreas da Engenharia”, garante Marcos Túlio.

Carência de especialização

De acordo com Marcos Túlio de Melo, muitos profissionais formados não estão atuando na área de Engenharia. “Há, hoje, uma carência de profissionais especializados no país. O problema ainda é agravado pelo fato de que vários profissionais não estão atuando na sua área de formação. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2009, apenas 38% dos formados em Engenharia exercem a profissão. Isso significa que seis em cada dez engenheiros atuam em outras funções”, diz.

Para reverter esse quadro, o presidente do Crea-RJ acredita que é necessário criar estímulos para se fazer cursos de atualização e especialização e, assim, recuperar boa parte desses engenheiros que trabalham em outras áreas.

“Você percebe que o número de cursos de pós-graduação é pequeno para a demanda. Com isso, as faculdades particulares (principalmente) estão aumentando as opções de cursos”, conta Guerreiro.

Se não tem engenheiros aqui…

As empresas acabam contratando engenheiros de outros países para suprir as necessidades. À medida que se observa a escassez da mão-de-obra nacional com a qualificação exigida pelo mercado de trabalho, percebe-se a crescente abertura à entrada de profissionais estrangeiros no país.

“Esta é uma grande preocupação da atualidade. Esta realidade é digna, antes de tudo, de políticas públicas de requalificação e reinserção do profissional no mercado de trabalho, além do incentivo aos jovens para a escolha das carreiras tecnológicas. Circunstância mais agravante é que temos observado um alto índice de infração à legislação quando nos referimos à importação de mão-de-obra estrangeira, com empresas ou profissionais sem os respectivos registros temporários para atuarem no país, inclusive, em razão da Copa de 2014”, diz Marcos Túlio.

O presidente do Confea explica que, para tratar a questão, o Conselho está organizando uma ação nacional específica de fiscalização para saber se esses profissionais estão atuando dentro da legalidade.

Nayra Garofle – Conexão Aluno, 16 de maio de 2011

Fonte: http://www.confea.org.br